quarta-feira, 10 de junho de 2009

ALTERNÂNCIA DEMOCRÁTICA



Tirado do blog: O reacionario.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS [03]

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS

SEGUNDO ARTIGO


Abril de 1885


OS SINAIS PRECURSORES


I


A questão do fim do mundo foi discutida desde as origens da Igreja. São Paulo tinha dado sobre esse assunto preciosos ensinamentos aos cristãos de Tessalônica; e como, apesar das instruções orais, os espíritos se deixassem inquietar por predições e rumores sem fundamento, lhes dirigiu uma gravíssima carta para acalmar as inquietações.


“Nós vos rogamos com insistência, lhes diz, meus irmãos, não vos deixeis abalar em vossas resoluções, nem vos perturbeis por qualquer visão, ou falatórios, ou carta supostamente vinda de nós, como se o dia do Senhor estivesse perto”.


“Ninguém de modo algum vos engane! Pois é preciso que antes venha a grande apostasia, e que apareça o homem do pecado, o filho da perdição...”.


“Não vos lembrais que eu vos dizia essas coisas quando ainda estava convosco?”.


“E agora vós sabeis o que é que o retém. Pois o mistério da iniqüidade já faz sua obra. Aquele que o retém retenha-o, esperando até que seja posto de lado”. (2 Ts 2, 1, 6).


Assim o fim do mundo não chegará sem que tenha aparecido um homem apavorantemente mau e ímpio, o filho da perdição. E este, por sua vez, só se manifestará depois da grande apostasia geral, depois do desaparecimento de um obstáculo providencial sobre o qual o Apóstolo havia ensinado de viva voz a seus fiéis.


II


De que apostasia fala São Paulo? Não se trata de uma defecção parcial; ele diz de uma maneira absoluta, a apostasia. Só se pode entender a apostasia em massa das sociedades cristãs, que socialmente e civilmente renegarão seu batismo; a defecção dessas nações que Jesus Cristo, segundo a enérgica expressão de São Paulo, tornou membros do corpo de sua Igreja (Ef 3, 6). Somente esta apostasia tornará possível a manifestação e a dominação do inimigo pessoal de Jesus Cristo, em uma palavra, o Anticristo.


Nosso Senhor disse: Será que o Filho do Homem, quando voltar, encontrará a fé sobre a terra? (Lc 18, 8). O divino Mestre via a fé declinar, num mundo que envelhecia. Não são os ventos do século capazes de fazer vacilar esta chama inextinguível, mas as sociedades, embriagadas pelo bem-estar material, a afastam como inoportuna.


Voltando as costas à fé, o mundo entra nas trevas e se torna joguete das ilusões do mal. Pensa que são luzes meteoros enganadores. Irá até tomar pelos primeiros raios do dia a vermelhidão do incêndio.


Renunciando a Jesus Cristo, cairá, queira ou não, nas garras de Satã, tão bem chamado príncipe das trevas. Não pode ficar neutro; não pode criar para si uma independência. Sua apostasia o põe diretamente debaixo do poder do diabo e de seus cúmplices.


O douto Estius, estudando o texto do Apóstolo, diz que esta apostasia começou em Lutero e Calvino. Este é o ponto de partida. Daí fez um caminho assustador.


Hoje ela tende a se consumar. Ela se chama Revolução, que é a insurreição do homem contra Deus e seu Cristo. Ela tem como fórmula o laicismo, que é a eliminação de Deus e seu Cristo.


É assim que vemos as sociedades secretas, investidas do poder público, obstinadas em descristianizar a França, tirando-lhe um a um, todos os elementos sobrenaturais com os quais foi impregnada durante quinze séculos de fé. Esses sectários só têm um fim: selar a apostasia definitiva, e preparar as vias para o homem do pecado.


Cabe aos cristãos reagir, com todas as energias de que dispõem, contra essa obra abominável; e para isto reintroduzir Jesus Cristo na vida privada e pública, nos costumes e leis, na educação e instrução. Há muito tempo que, em tudo isso, Jesus Cristo não é mais o que devia ser, isto é, tudo. Há muito tempo, reina uma meia-apostasia. Como, por exemplo, depois que a instrução foi paganizada, poderíamos formar outra coisa que meio-cristãos?


Trabalhando em sentido diametralmente oposto ao da Franco-Maçonaria, os cristãos atrasarão o advento do homem do pecado: prepararão para a Igreja a paz e a independência de que ela precisa para alcançar e converter o mundo que se abre diante dela.


Toda a luta da hora presente está pois concentrada aí: deixaremos, sim ou não, nós batizados, que se consuma a apostasia que trará, em pouco tempo, o Anticristo?


III


O Apóstolo fala, em termos enigmáticos, de um obstáculo que se opõe à aparição do homem do pecado: “Aquele que o retém, diz ele, retenha-o, até que ele seja posto de lado”.


Por esse que retém, os mais antigos Padres gregos e latinos entendem, quase unanimemente, o Império romano. Conseqüentemente, eles assim explicam São Paulo: enquanto subsistir o império romano, o Anticristo não aparecerá.


Repugna esta glosa aos intérpretes mais recentes; não admitem que a sorte da Igreja esteja ligada à de um império; mas procuram em vão outra explicação satisfatória.


Confessamos ingenuamente que o pensamento dos antigos não nos parece tão desprezível, desde que o entendamos com uma certa amplidão.


Notemos que São Paulo, anunciando aos fiéis uma apostasia quando a conversão do mundo estava esboçada, estava lhes dando uma visão de todo o futuro da Igreja. Ele lhes anunciou que as nações se converteriam, que se formariam sociedades cristãs, e depois estas sociedades perderiam a fé. Ele lhes mostrara, sem dúvida alguma, o império romano transformado, um poder cristão surgindo no lugar de um poder pagão, a autoridade dos Césares passando para mão dos batizados que dela se serviriam para estender o reino de Jesus Cristo. Ele poderia, desde então, acrescentar: enquanto durar este estado de coisas, estejam tranqüilos, o Anticristo não aparecerá.


O sentido do Apóstolo, entendido largamente, seria pois este: enquanto a dominação do mundo estiver entre as mãos batizadas da raça latina, o inimigo de Jesus Cristo não se mostrará.


Notemos, como corolário desta interpretação, que os franco-maçons se opõem antes de tudo e acima de tudo à restauração do poder cristão.


Quando um príncipe se anuncia como cristão, todos os meios são empregados para se desembaraçar dele. Isto é preciso fazer a qualquer preço[1].


Assim pois é o poder político cristão o que impediria a seita de alcançar o seu fim.


Por outro lado, as raças latinas estão voltadas a exercer no mundo uma influência católica, ou bem abdicar. Sua missão é servir à difusão do Evangelho; e sua existência política está ligada a esta missão. No dia em que a ela renunciarem pela completa apostasia, seriam aniquiladas; e o Anticristo, surgindo provavelmente do Oriente, as esmagaria facilmente com os pés[2].


Aqui ainda incumbe aos cristãos agir sobre o espírito público, fazer com que os governos retomem as tradições cristãs, fora do que só haverá a decadência para as nações européias e especialmente para nossa pobre pátria.


[1] O Pe. Deschamps dá curioso detalhe do vivo ódio que a franco-maçonaria tem dos representantes do poder cristão. Em certa prova, o iniciado recebe esta enigmática divisa: L.D.P. Ora, esta divisa tem um duplo sentido. No primeiro significa: Liberdade de pensamento. É a revolta contra Deus. No segundo: Lilia destrue pedibus. Esmague com os pés os lírios: é aquela das monarquias cristãs.

[2] É da tradição dos primeiros tempos da Igreja, consignada em Lactancio, que um dia o império do mundo voltaria à Ásia: Imperium in Asium revertetur.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS [02]

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS

PRIMEIRO ARTIGO


Março de 1885


UMA PALAVRA AO LEITOR


I


Consideramos a Igreja no passado e no presente; falta-nos contemplá-la no futuro.


Deus quis que os destinos da Igreja de seu Filho único fossem traçados de antemão nas Escrituras, como foram os de seu próprio Filho; é lá que iremos procurar os documentos de nosso trabalho.


A Igreja, devendo ser semelhante a Nosso Senhor, sofrerá, antes do fim do mundo, uma prova suprema que será uma verdadeira Paixão. São os detalhes desta Paixão, na qual a Igreja fará ver toda a imensidade de seu amor por seu divino Esposo, que se acham consignados nos escritos inspirados do Antigo e Novo Testamento. Nós os passaremos diante dos olhos de nossos leitores.


Não temos a intenção de assustar ninguém tratando de tal assunto. Diremos mais: ele nos parece conter, ao lado de grandes ensinamentos, grandes consolações.


II


Certamente é um triste espetáculo ver a humanidade, seduzida e enlouquecida pelo espírito do mal, tentar sufocar e aniquilar a Igreja sua mãe e sua tutora divina. Mas deste espetáculo sai uma luz que nos mostra a história por inteiro em seu verdadeiro aspecto.


O homem se agita sobre a terra; mas ele é empurrado por potências que não são da terra. Na superfície da história, o olhar apreende as desordens dos impérios e das civilizações que surgem e desaparecem. Por baixo disto a fé nos faz seguir o grande antagonismo entre Satã e Nosso Senhor; nos faz assistir às astúcias e às violências do espírito imundo, para entrar na casa da qual foi expulso por Jesus Cristo. No fim ele entrará e quererá eliminar Nosso Senhor. Então os véus serão rasgados, o sobrenatural brilhará em toda parte; não haverá mais política propriamente dita; um drama puramente religioso se desenvolverá e envolverá todo o universo.


Pode-se perguntar por que as peripécias deste drama são descritas tão minuciosamente pelos escritores sagrados, já que ele durará pouco tempo? Porque será a conclusão de toda a história da Igreja e do gênero humano. Porque fará ressaltar, com um brilho supremo, o caráter divino da Igreja.


Além disso, todas essas profecias têm incontestavelmente o fim de fortificar a alma dos fiéis nos dias da grande prova. Todos os abalos, todos os pavores, todas as seduções que virão assaltá-los, tendo sido preditos tão exatamente, constituirão argumentos em favor da fé combatida e proscrita. A fé, neles se firmará precisamente por aquilo que deveria destruí-la.


Mas nós mesmos temos grandes frutos a tirar da consideração desses estranhos e terríveis acontecimentos. Depois de ter falado deles, Nosso Senhor disse a seus discípulos: “Velai e orai, para que sejais encontrados dignos de fugir destas coisas que acontecerão no futuro, e de permanecerdes de pé na presença do Filho do Homem” (Lc 21, 36).


Assim, pois, o anúncio desses acontecimentos é um aviso solene dado ao mundo: “Velai e orai para não cairdes em tentação”. (Mt 26, 41).


Não sabeis quando essas coisas acontecerão: velai e orai, para não seres surpreendidos.


Sabeis que desde agora a sedução age nas almas, que o mistério da iniqüidade faz sua obra, que a fé é reputada um opróbrio (São Gregório); velai e orai, para conservar a fé.


Eis a hora da noite, hora das potências das trevas: Velai para que vossa lâmpada não se apague, orai para que o torpor e o sono não tomem conta de vós.


Mas antes levantai vossas cabeças para o céu; pois a hora da redenção se aproxima, pois começam a raiar os primeiros clarões da aurora. (Lc 21, 28).


III


Depois de ter falado dos ensinamentos, digamos uma palavra sobre as consolações.


Nunca se terá visto o mal tão solto; e ao mesmo tempo tão contido pela mão de Deus.


A Igreja, como Nosso Senhor, será entregue sem defesa aos carrascos que a crucificarão em todos os seus membros: mas não lhes será permitido quebrar seus ossos, que são os eleitos, assim como com o cordeiro pascal estendido sobre a cruz.


A provação será limitada, abreviada por causa dos eleitos; e os eleitos serão salvos; e os eleitos serão todos os verdadeiros humildes.


Enfim, a provação acabará por um triunfo inaudito da Igreja, comparável a uma ressurreição.


Nesse tempo, e mesmo nos prelúdios da crise suprema, ela verá os restos das nações se converterem. Mas sua mais viva consolação será a volta dos judeus.


Os judeus se converterão, seja antes, seja durante o triunfo da Igreja; e São Paulo, que anuncia esse grande acontecimento, não se contém de alegria ao contemplar o que se seguirá.


Vê-se como as palavras do salmo podem se aplicar à Igreja: Seguindo a multidão de aflições que encheram meu coração, vossas consolações, Senhor, alegraram minha alma.

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS [01]

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS

PREFÁCIO


As páginas que se seguem, escritas pelo R. P. Emmanuel, Prior do Mosteiro de Mesnil-Saint-Loup, têm cem anos. Foram redigidas em 1884-1885, e estão sendo publicadas em 1985.


O Reverendo Padre Emmanuel é um teólogo, mas sua doutrina é toda orientada para a vida espiritual. Sua alma arde do desejo de comunicar a verdade às almas, de levá-las ao Louvor de Deus, de santificá-las ao modo de São Bento que queria fazer de seus monges bons cristãos, quer dizer, discípulos de Jesus Cristo.


A leitura destas páginas sobre a Igreja é entusiasmante, sente-se nelas o sopro do Espírito Santo. Algumas dentre elas são mesmo proféticas, quando descrevem a Paixão da Igreja. O ano de 1884 foi também o ano da redação por Leão XIII de seu exorcismo pela intercessão de São Miguel Arcanjo, que anuncia a iniqüidade no trono de Pedro.


Alguns anos antes o Papa Pio IX fizera publicar os Atos da seita maçônica da Alta Venda, que são verdadeiras profecias diabólicas para nosso tempo.


O Reverendo Padre dá precisões surpreendentes sobre o indiferentismo religioso, que corresponde exatamente à heresia ecumênica de nossos dias. Que teria ele dito ou escrito se vivesse em nossa época! Por seus escritos ele nos encoraja a permanecermos firmes na fé da Igreja Católica e a recusar os compromissos que arruínam a liturgia, sua doutrina e sua moral. O exemplo de seu apostolado na paróquia de Nossa Senhora da Santa Esperança do Mesnil-Saint-Loup permanece um testemunho de seu zelo e de sua santidade.


Possam estas páginas ter uma larga difusão pela intercessão de Nossa Senhora da Santa Esperança. Que Ela se digne abençoar seus leitores e editores.


D. Marcel Lefebvre.

sábado, 6 de junho de 2009

Células-tronco embrionárias geram tumores em criança


A tentativa de usar células-tronco sacrificando embriões produziu sinistro efeito numa criança, informou a revista médica PLoS Medicine. A identidade da criança, obviamente não foi divulgada. Os perigos são notórios para os cientistas, mas a propaganda faz acreditar que esse monstruoso procedimento é uma panacéia.


Os pais do menino caíram na sedução da propaganda. Eles aprovaram que um hospital de Moscou injetasse células-tronco embrionárias no cérebro e no fluido da espinha dorsal da criança que sofria de uma rara doença: a ataxia telangiectasia, ou A-T. Degeneration.


As células-tronco embrionárias provinham de diferentes embriões sacrificados. Quatro anos depois médicos do Centro Médico Sheba, em Tel Aviv, constataram na criança múltiplos tumores e retiraram dois [foto]. Estavam nos mesmos lugares onde haviam sido ministradas as injeções de células-tronco. O DNA dos tumores pertencia a pelos menos duas pessoas diferentes, inclusive de uma mulher, sugerindo que provinham das células-tronco embrionárias inoculadas.


O uso destas células é intrinsecamente imoral, pois importa em sacrificar vidas humanas. Além do mais, o método acarreta muitos riscos, é tecnicamente superado e ficou dispensável. Hoje pode se obter células-tronco a partir de células adultas, com a vantagem extra de não apresentarem os riscos grotescos do uso de células-tronco embrionárias.


A revista
Public Library of Science Medicine descreveu o assustador resultado como alerta para médicos e pacientes. Porém, logo depois, o presidente Obama liberou verbas federais para essa perigosa e amoral tecnologia, sendo muito aplaudido pela imprensa esquerdista e sensacionalista.


Um obscuro desígnio
‒ medularmente ateu, aliás ‒, subjaz na tentativa de canibalizar embriões como se fossem máquinas em desuso.


Retirado de: http://revculturalfamilia.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de junho de 2009

3ª APARIÇÃO – 13 de Julho de 1917.

Escreve a Irmã Lúcia

Momentos depois de termos chegado à Cova da Iria, junto da carrasqueira, entre numerosa multidão de povo, estando a rezar o terço, vimos o reflexo da costumada luz e em seguida Nossa Senhora sobre a carrasqueira.


– Vossemecê que me quer? Perguntei.


– Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem o rezar o terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só ela Lhes poderá valer.


– Queria pedir-Lhe para nos dizer quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.


– Continuem a vir aqui todos os meses, em Outubro direi quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão de ver para acreditar.


Aqui fiz alguns pedidos, que não recordo bem quais foram.

O que me lembro é que Nossa Senhora disse que era preciso rezar o terço para alcançar as graças durante o ano. E continuou:


– Sacrificai-vos pelos pecadores, e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: "O Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria."


SOBRE O SEGREDO DE FÁTIMA.


1ª e 2ª Parte do segredo


1ª. Consta da visão do inferno.

2ª. A Devoção ao Meu Imaculado Coração com a comunhão reparadora nos primeiros sábados e a Consagração da Rússia.

1ª Parte:


A primeira foi, pois, a vista do inferno! Nossa Senhora .... Ao dizer estas palavras, abriu de novo as mãos como nos dois meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo, mergulhados nesse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que deles mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo de todos os lados semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso, nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Devia ser ao deparar-me com esta visão que dei esse Ai, que dizem ter-me ouvido.

Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Esta visão foi um momento, e graças à Nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu. Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Assustados e como que a pedir socorro, levantamos a vista para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza:


2ª parte:


- Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz: a guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite iluminada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo. Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas: por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia que se converterá e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da fé, etc...


3ª Parte do segredo.


Quanto à terceira parte do segredo, encontrando-se Lúcia doente, em Tuy, descreveu-a em 3 de Janeiro de 1944, também por ordem do Bispo de Leiria, entregando-a num envelope fechado. Lúcia diz nessa carta:


Escrevo em ato de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia. Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.


Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos numa luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varias tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.


Continuando a carta de 31 de Agosto de 1941:


– Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco sim, podeis dizê-lo. Quando rezardes o terço, dizei depois de cada mistério:

Ó meu Jesus, perdoai-nos livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o céu, principalmente aquelas que mais precisarem.

Seguiu-se um instante de silêncio e perguntei:


– Vossemecê não me quer mais nada?


– Não, hoje não te quero mais nada.


E como de costume começou a elevar-se em direção ao nascente até desaparecer na imensa distância do firmamento.»


Nossa Senhora do Rosário de Fátima: Rogai por nós.

terça-feira, 2 de junho de 2009

2ª APARIÇÃO – 13 de Junho de 1917.

Aí pelas 11 horas saí de casa, passei por casa de meus tios onde a Jacinta e o Francisco me esperavam e lá vamos para a Cova da Iria à espera do momento desejado... Depois de rezar o terço com a Jacinta e Francisco e mais pessoas que estavam presentes (Conforme contou o Sr. Inácio António Marques, assistiram 40 pessoas!), vimos de novo o reflexo da luz que se aproximava (a que chamávamos relâmpago) e em seguida Nossa Senhora sobre a carrasqueira, em tudo igual a Maio.


– Vossemecê que me quer? Perguntei.


– Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.


– Pedi a cura de um doente.


– Se, se converter, curar-se-á durante o ano.


– Queria Pedir-lhe para nos levar para o Céu.


– Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a aceita, prometer-lhe-ei a salvação e estas almas serão amadas de Deus, como flores colocadas por Mim para enfeitar o Seu Trono.


– Fico cá sozinha? Perguntei com pena.


– Não, filha! E tu sofres muito! Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

Foi no momento em que disse estes palavras, que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus.

A Jacinta e o Francisco parecia estarem na parte dessa luz que se elevava para o Céu, e eu, na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora estava um Coração cercado de espinhos que parecia estarem-Lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação.

Eis ao que nos referíamos quando dizíamos que Nossa Senhora nos tinha revelado um segredo em Junho. Nossa Senhora não nos mandou ainda desta vez guardar segredo, mas sentíamos que Deus a isso nos movia.