segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS [07]

O DRAMA DO FIM DOS TEMPOS

SEXTO ARTIGO


Agosto de 1885


A IGREJA DURANTE A TORMENTA



I


São Gregório Magno, em seus luminosos comentários de Jó, penetra profundamente em toda a história da Igreja, visivelmente animado do mesmo espírito profético espalhado nas Escrituras.


Ele contempla a Igreja, no fim dos tempos, sob a figura de Jó humilhado e sofredor, exposto às insinuações pérfidas de sua mulher e às críticas amargas de seus amigos; Jó, diante de quem, outrora, os anciãos se levantavam e os príncipes faziam silêncio!


A Igreja, disse muitas vezes o grande Papa, no fim de sua peregrinação terrestre, será privada de todo poder temporal; procurarão tirar-lhe todo ponto de apoio sobre a terra.


Vai mais longe ainda, declara que ela será despojada do próprio brilho que provém dos dons sobrenaturais.


“O poder dos milagres, diz ele, será retirado, a graça das curas arrebatada, a profecia desaparecerá, o dom de uma grande abstinência será diminuído, os ensinamentos da doutrina se calarão, os prodígios milagrosos cessarão. Isto não quer dizer que não haverá mais nada disso; mas todos esses sinais não brilharão abertamente, sob mil formas como nos primeiros tempos. Será mesmo a ocasião de um maravilhoso discernimento. Neste estado de humilhação da Igreja, crescerá a recompensa dos bons que se prenderão a ela, tendo em vista somente os bens celestes; quando aos maus, não vendo mais na Igreja nenhum atrativo temporal, não terão nada a fingir, se mostrarão tais como são”. (Mor. 1, XXXV)


Que palavra terrível: os ensinamentos da doutrina se calarão! São Gregório proclama em outro lugar que a Igreja prefere morrer a se calar. Então ela falará: mas seu ensinamento será entravado, sua voz encoberta; muitos dos que deveriam gritar sobre os telhados não ousarão fazê-lo com medo dos homens.


E será a ocasião de um grande discernimento.


São Gregório insiste muitas vezes sobre as três categorias de pessoas que há na Igreja: os hipócritas ou os falsos cristãos, os fracos e os fortes. Ora, nesses momentos de angústia os hipócritas levantarão a máscara e manifestarão sua apostasia secreta; os fracos, coitados, perecerão em grande número e o coração da Igreja sangrará por eles; enfim, muitos dos fortes, confiantes em sua próprias forças, cairão como as estrelas do céu.


A despeito de todas estas tristezas pungentes, a Igreja nem perderá a coragem nem a confiança. Ela será sustentada pela promessa do Salvador, consignada nas Escrituras de que esses dias serão abreviados por causa dos eleitos.


Sabendo que apesar de tudo os eleitos serão salvos, a Igreja se empenhará, no meio da mais atroz tormenta, na salvação das almas com uma infatigável energia.


II


Apesar do horrível escândalo desses tempos de perdição, não se deve pensar que os fracos estarão necessariamente perdidos. A via da salvação continuará aberta e a salvação possível para todos. A Igreja terá meios de preservação proporcionados ao tamanho do perigo. E entre os pequenos, somente os que deixarem as asas de sua mãe cairão nas garras do gavião.


Quais serão esses meios de preservação? As Escrituras não nos deixam sem indicação sobre o assunto; podemos, sem temeridade, formular algumas conjecturas.


A Igreja se lembrará do aviso dado por Nosso Senhor para os tempos da tomada de Jerusalém e aplicável, com o consentimento dos intérpretes, à última perseguição.


“Quando virdes a abominação da desolação, predita pelo profeta Daniel, de pé nos lugares santos (aquele que lê, compreenda!), então aqueles que estão na Judéia fujam para as montanhas... Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado! Pois haverá grande tribulação, tal como nunca houve desde a origem do mundo e que não haverá jamais. E se esses dias não fossem abreviados ninguém se salvaria; mas eles serão abreviados por causa dos eleitos” (Mt 24, 15, 23).


De acordo com estas instruções do Salvador, a Igreja porá os pequenos rebanhos em segurança pela fuga; providenciará retiros inacessíveis, já que a terra estará cruzada e varada pelos meios de comunicação. É preciso responder que Deus proverá, ele próprio, à segurança dos fugitivos. São João nos deixa entrever esta ação da Providência.


No capítulo XII do Apocalipse, ele nos apresenta uma mulher vestida de sol e coroada de estrelas: é a Igreja. Esta mulher sofre as dores do parto; pois a Igreja dá à luz os eleitos de Deus entre grandes sofrimentos. Diante dela está um grande dragão ruivo, imagem do diabo e de suas contínuas armadilhas. Mas a mulher foge para o deserto, para um lugar preparado pelo próprio Deus, e lá ela é alimentada durante 1.260 dias (Ap 5, 6). Estes 1.260 dias, que fazem três anos e meio, indicam o tempo da perseguição do Anticristo, como está manifestado em outras passagens do Apocalipse. Então, durante esse tempo, a Igreja, na pessoa dos fracos, fugirá para a solidão; e Deus se incumbirá de mantê-la escondida e a alimentará.


No fim do mesmo capítulo estão os detalhes desta fuga. São dadas à mulher duas grandes asas de águia, para a transportar para o deserto. O dragão tenta persegui-la, sua goela vomita um rio de água contra ela. Mas a terra vem socorrer a mulher e absorve o rio. Estas palavras enigmáticas designam alguma grande maravilha que Deus fará aparecer em favor de sua Igreja; a raiva do dragão expiará a seus pés.


No entanto, enquanto os fracos rezam em segurança numa misteriosa solidão, os fortes e os valentes se engajarão numa luta terrível na presença do mundo inteiro, com o dragão desencadeado.


III


É fora de dúvida que nos últimos tempos haverá santos de virtude heróica. No começo, Deus deu à Igreja os Apóstolos que abateram o império idolátrico, e que fundaram e cimentaram a Igreja com seu sangue. No fim, Deus dará filhos e defensores, que não se pode dizer menos santos ou menores.


Santo Agostinho, pensando neles, exclama: “Em comparação com os santos e fiéis de então, o que somos nós? Pois para pô-los à prova o diabo será desencadeado, e nós o combatemos ao preço de mil perigos, estando ele atado”. E acrescenta: “No entanto, mesmo hoje o Cristo tem soldados bastante prudentes e bastante fortes para poderem desmanchar com sabedoria suas armadilhas e agüentar com paciência os assaltos do inimigo mesmo se desencadeado”. (De Civ. Dei, XX, 8).


Santo Agostinho continua perguntando: “Haverá ainda conversões nesses tempos de perdição? As crianças serão ainda batizadas apesar das proibições do monstro? Os santos de então terão o poder de arrancar as almas da goela do dragão furioso? O grande doutor responde afirmativamente a todas estas perguntas. Sem dúvida as conversões serão mais raras, mas serão mais espetaculares. Sem dúvida, em regra geral, é preciso que Satã esteja amarrado para que se possa despojá-lo (Mt 11, 29); mas nesses dias Deus se comprazerá em mostrar que sua graça é mais forte do que o próprio forte em seu mais furioso desencadeamento.


Cada um note o quanto estes dados são consoladores. Mas quais serão os santos dos últimos tempos? Gostamos de pensar que entre eles haverá soldados. O Anticristo será um conquistador, comandará exércitos; encontrará diante de si as Legiões Tebanas, heróis desta linhagem gloriosa e indomável que tem os Macabeus como ancestrais e que conta em suas fileiras com os Cruzados, os camponeses da Vandea e do Tirol, enfim, os Zuavos pontificais. Estes soldados, o Anticristo poderá esmagá-los debaixo do peso de suas inumeráveis hordas; ele não os fará fugir.


Mas o Anticristo será, sobretudo, um impostor; por conseqüência ele encontrará como adversários principalmente os apóstolos armados com o crucifixo. Como a última perseguição revestirá o aspecto de uma sedução, estes unirão a paciência dos mártires à ciência dos doutores. Nosso Senhor fez Santa Teresa vê-los tendo na mão gládios luminosos.


À frente destas falanges intrépidas, aparecerão dois enviados extraordinários de Deus, dois gigantes de santidade, dois sobreviventes dos tempos antigos; referimo-nos a Henoc e Elias, de quem falaremos no artigo seguinte.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

DISCURSO DO PRIMEIRO-MINISTRO AUSTRALIANO À COMUNIDADE MUÇULMANA


No âmbito das medidas de segurança tomadas para continuar a fazer face a eventuais ataques terroristas, foi dito aos muçulmanos residentes na Austrália e que pretendem viver de acordo com a lei da Sharia para sairem do país. O então Primeiro-Ministro John Howard chocou os residentes muçulmanos declarando que apoiava as agências encarregadas de vigiar as mesquitas existentes na Austrália.



OS IMIGRANTES NÃO-AUSTRALIANOS, DEVEM ADAPTAR-SE. É pegar ou largar! Estou cansado de saber que esta Nação se inquieta ao ofendermos certos indivíduos ou a sua cultura. Desde os ataques terroristas em Bali, assistimos a uma subida de patriotismo na maioria dos australianos.


A nossa cultura está desenvolvida desde há mais de dois séculos de lutas, de habilidade e de vitórias de milhões de homens e mulheres que procuraram a liberdade. A nossa língua oficial é o Inglês; não é o Espanhol, o Libanês, o Árabe, o Chinês, o Japonês, ou qualquer outra língua. Por conseguinte, se desejam fazer parte da nossa sociedade, aprendam a nossa língua!


A maior parte dos australianos crê em Deus. Não se trata de uma obrigação cristã, de influência da direita ou pressão política, mas é um facto, porque homens e mulheres fundaram esta Nação sobre os princípios cristãos e isso é ensinado oficialmente. É perfeitamente adequado afixá-lo sobre os muros das nossas escolas. Se Deus vos ofende, sugiro-vos então que encarem outra parte do mundo como o vosso país de acolhimento, porque Deus faz parte da nossa cultura.


Nós aceitaremos as vossas crenças sem fazer perguntas. Tudo o que vos pedimos é que aceitem as nossas e vivam em harmonia e em paz connosco.


ESTE É O NOSSO PAÍS, A NOSSA TERRA E O NOSSO ESTILO DE VIDA. E oferecemo-vos a oportunidade de aproveitar tudo isto. Mas se vocês têm muitas razões de queixa, se estão fartos da nossa bandeira, do nosso compromisso, das nossas crenças cristãs, ou do nosso estilo de vida, incentivo-os fortemente a tirarem partido de uma outra grande liberdade autraliana: O DIREITO de PARTIR. Se não são felizes aqui, então PARTAM.


Não vos forçámos a vir para aqui. Vocês pediram para vir para cá.
Então, aceitem o país que vos aceitou".

domingo, 24 de janeiro de 2010

AS APARÊNCIAS E A VERDADE


Por: Dom Eugenio Sales - Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro



A sobrevivência de um povo como nação pressupõe o respeito á autoridade civil e á contribuição leal para o bem comum. Por outras palavras, é necessário: o cumprimento dos deveres, e não apenas a exigência dos direitos. O poder que vem de Deus para serviço aos irmãos e ás actividades dos cidadãos, conforme a ética, estabelecem os alicerces desse edifício.
Entretanto, algo mais se requer: um espírito que anime essa estrutura e a preserve da decomposição. Refiro-me a um carácter íntegro das pessoas no meio civil e também eclesial.


A actual aceleração do ritmo nas transformações sociais, políticas, económicas e culturais, gerou súbitas e profundas alterações no sistema de vida comunitária. Em consequência, há uma desfasagem entre os valores de ontem e os de hoje, acobertando-se muitos num clima de ambiguidade. A fuga a uma definição clara de posições, por trazerem problemas e dificuldades no relacionamento humano, leva a uma nefasta opção pela penumbra, o lusco-fusco. A luz cede lugar á sombra, ou, o que é mais grave, ás meias verdades. Estas multiplicam monstros, germes fatídicos que mutilam reputações e destroiem criaturas, mais facilmente que a própria mentira ou calúnia.
Matam, sem derramamento de sangue, num homicídio mais doloroso que o cometido por facínoras, no sentido habitual da expressão. Na origem dessa degenerescência há o medo, ele constitui o grande mal dos nossos dias, o que nos leva a alterar actitudes correctas diante da pressão da opinião pública. Sem discernir, aceita-se o que se propala, sem distinguir o falso do verdadeiro. A abdicação da autonomia pessoal possibilita a volta da tolerância, habitualmente manejada por uma minoria que a catalisa para os seus fins escusos.


Recordemos o Evangelho: "Seja o vosso 'sim', sim e o vosso 'não', não" (Mt 5,37). A objetividade dos julgamentos não pode ser relegada para um ponto inferior e os abusos e os erros assumem posições incompatíveis com a autenticidade na esfera civil e também eclesiástica. O posto do árbitro se converte em arbítrio.


As consequências são funestas.
A falta de sinceridade no tracto corrompe o sadio relacionamento social. Por exemplo: o natural desejo de saber as últimas notícias pode-se transformar em ânsia doentia, levando os fracos de carácter a revelar episódios sem um prévio exame da sua autenticidade. Gera um clima funesto que propicia dolorosas injustiças quanto ao direito sagrado que é a boa fama. Uma vez lançada a mentira, mais grave ainda se possui a parcela de veracidade, deforma-se a reputação do próximo e rouba-se um tesouro á respeitabilidade alheia. Por vezes, o dano é irreparável.


A um ladrão impõe-se uma penalidade; a esses larápios da fama alheia, mais prejudiciais que os primeiros, pouco se lhes dá como castigo de um verdadeiro crime. A opinião pública, formada subtilmente pela propagação de versões falsas, exerce, nos nossos dias e através da fácil comunicação das ideias, uma real e insuportável tirania. A imagem do outro fica á mercê de indivíduos que destroiem alguém enlameando-lhe a honra.
Uma mente doentia tenta saciar-se na procura de escândalos, na inútil tentativa de justificar as próprias mazelas. A busca de cargos ou o empenho em fazer vencer opiniões, facções ou correntes de pensamento tecem genuínas teias que envolvem os incautos. Estes se tornam, inconscientemente, fautores de males inumeráveis, incomensuráveis.


Essa situação indigna de um cristão ou simples homem de bem pode penetrar no santuário.


Por isso, o Concílio Vaticano II, no documento sobre o ministério e a vida dos sacerdotes, ao tratar da eficácia da sua missão no mundo, declara: "Para cumprirem tal meta, muito contribuem as qualidades que gozam de merecida estima na convivência humana, como sejam: bondade de coração, sinceridade, coragem e constância, o culto vigilante da justiça, a delicadeza e outras que o apóstolo São Paulo recomenda (Fl 4,8)". E inclui um trecho de São Policarpo (Comentário á epístola aos Filipenses, VI, 1): "E os presbíteros sejam inclinados á compaixão, misericordiosos para com todos, reconduzindo os extraviados, visitando todos os doentes, não esquecendo as viúvas, os órfãos e os pobres; mas solícitos sempre do bem junto de Deus e dos homens, abstendo-se de toda a ira, acepção de pessoas, juízos injustos, afastando para longe toda a avareza, não acreditando facilmente contra alguém, não demasiados severos nos juízos, conscientes de que todos somos devedores do pecado".


A honra e as demais virtudes que caracterizam um homem de bem constituem o esteio das instituições.
O apreço que se lhes deve é sinal da dignidade humana. Ao contrário, se não existem ou são desprezadas, enfraquecidas, inúmeros danos eclodem na comunidade, inclusive religiosa.


Jamais se constrói uma pátria digna desse nome ou se preserva a Igreja de muitas deficiências sem as virtudes humanas devidamente apreciadas. Esses hábitos são essenciais á harmonia e ao respeito mútuo, bem como ao relacionamento entre pessoas probas. Sobre esse patamar e somente nele se edifica uma vida cristã autêntica. Antes de alguém ingressar pelo batismo na instituição fundada pelo Senhor, o candidato é admitido no convívio temporal, isto é, nasce.


A formação correta de um redimido pelo sangue do Redentor inclui a dignidade pessoal.

Católicos ou não, tenhamos consciência de uma condição para vencer a decomposição social: ter um carácter bem formado.


Ser um homem honesto, não importa as consequências.
A verdade independentemente do número dos que a aceitam. Somente ela nos libertará: "A verdade vos libertará" (Jo 8,32).


Tirado: http://www.pastoralis.com.br/pastoralis/html/modules/smartsection/item.php?itemid=371

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O CAMINHO DO DEVER



A criança que, desde os mais tenros anos, for educada na honestidade e rectidão, cumprirá nobremente o seu destino quando se tornar homem, e atravessará a vida sem perigo de naufragar. (PLATÃO)


Conheces a história de Hércules, o maior herói das lendas gregas?
Foi um modelo de força e de bravura. Criancita ainda, sufocou duas serpentes que um inimigo, no malvado intuito de o fazer perecer, tinha-lhe colocado no berço. Mais tarde, matou a hidra de Lerna e o touro de Creta; venceu as amazonas; limpou as cavalariças de Ogias; apoderou-se dos pomos de ouro das Hespéridas ...


Ora um dia aconteceu encontrar-se na bifurcação de dois caminhos.
Qual deles seguiria?

Escola do caminho a seguir:


Era chegado a época da adolescência. Duas mulheres se lhe apresentaram, e uma delas, tomando a palavra, dirigiu-se-Ihe nestes termos:


_ «Vejo, Hércules, o teu embaraço por não saberes como conduzir-te na vida. Não te preocupes mais. Ségue-me e eu te levarei por um caminho agradável onde só conhecerás prazeres. As dificuldades desaparecerão por si mesmas. O teu único cuidado será comer e beber. Vem. conheço o caminho do prazer fácil."


_ «Como te chamas ?» - perguntou Hércules.


_ «Os amigos chamam-me Felicidade; os inimigos, Vício.»


Voltou-se por sua vez para ele a segunda mulher e disse-lhe:


_ «Não quero de modo nenhum fascinar-te com falsas miragens. Prefiro dizer-te a verdade em toda a sua rudeza simples. Os deuses, Hércules, não concedem a felicidade, sem luta. Por isso, se me seguires, o teu trabalho será penoso. Se quiseres que a Grécia te honre por uma vida virtuosa, esforça-te por colaborar com ela no bem geral. Se desejares que a terra te prodigalize riquezas, toma a charrua e trabalha. Se aspirares a que a vitória te sorria no campo da batalha, vai a casa dos heróis e exercita-te no manejo das armas. Se, finalmente, quiseres que os teus músculos sejam rijos como o aço, sujeita o corpo ao espírito, suporta o pesado fardo da existência e sofre.»


- «Repara, Hércules, - interrompeu o Vício - como é duro o caminho por onde esta mulher deseja levar-te, enquanto eu te conduzirei tão fàcilmente à felicidade!»....


- «Miserável- gritou a virtude - que felicidade podes tu dar? como te atreves a pronunciar sequer o nome de felicidade, se nada fazes para adquiri-Ia? Tu comes antes de ter fome e bebes antes de ter sede. No calor do estio reclamas neve. Queres descansar sem ter feito nada. Levas os teus sequazes ao amor ântes da idade prefixa pela natureza. Tu desonras a terra com a impudicícia do homem e da mulher. Habituas os teus partidários a praticar o mal durante a noite e a dormir durante o dia. Embora sejas imortal, os deuses evitam-te e os homens de bem desprezam-te. Teus jovens amigos arruínam o corpo e os mais velhos, a alma. Na juventude sacía-Ios de prazeres até os cansares de tédio para depois, quando atingirem a idade madura, os transformares em pobres vencidos da vida.


Quanto a mim, convivo com os deuses e com o melhor dos homens. Nenhuma acção digna se faz sem mim; por isso os deuses e os homens honram-me. Os artistas veneram-me como seu amparo e os pais de família constituem-me guarda dos seus lares. O pão e o vinho têm um sabor agradável na boca dos que me seguem, porque só comem quando têm fome e só bebem quando têm sede. O sono é-lhes mais suave do que ao preguiçoso, porque não lhe sacrificam nenhum dos seus deveres. Os amigos estimam-nos.; a Pátria honra-os. E, quando chega o momento derradeiro, não são lançados no esquecimento; a sua memória continua a viver. Hércules, descendente de uma raça ilustre, se agires assim, adquirirás uma glória imortal.»


Isto li eu na história de Hércules, no terceiro livro dos Memoráveis de Xenofonte. Contei-to, - meu filho, porque também tu te encontrarás em face de dois caminhos, segundo as palavras da Escritura: «Os desejos da carne são contrários aos do espírito» (Gal. V; 17). Também tu serás obrigado a optar por um deles.


Fonte: Tihamar Toth - Juventude Radiosa - Quadrante

Retirado de: http://razoavelcrer.blogspot.com/2009/06/o-caminho-do-dever.html

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

COMO FOI CRIADA A OBRA DE DON QUIXOTE DE LA MANCHA


Um ateu muito “sabichão” afirmava na presença de um sacerdote, que o mundo era obra do acaso.


O bom sacerdote perguntou-lhe: - “Você sabe como se compôs o Don Quixote de La Mancha? Vou contar-lhe... Um dia, Cervantes deixou sobre a sua mesa de trabalho uns papeis em branco. Sobre as folhas de papel passearam um grande rato e umas moscas, deixando-as salpicadas de uns pontinhos negros que você conhece de facto.


Quiz o acaso que os ditos pontinhos negros ficaram dispostos de tal forma que compuseram o primeiro capítulo da grande novela. Repetindo-se a operação das moscas, deu por resultado o segundo e terceiro capítulos do incomparável livro, e depois de algum tempo o tomo completo da célebre obra de Cervantes.


O ateu contestou: “Padre, não diga coisas tão absurdas!”


O sacerdote respondeu-lhe: “Se a sua inteligência admite que o mundo é obra do acaso, por que não há-de admitir que a história de Don Quixote também o é, e é bastante menos complexa que a criação inteira?”.


Retirado do blog: http://catolicidad-catolicidad.blogspot.com/2009/11/como-se-creo-la-obra-de-don-quijote-de.html

Tradução livre: Manuel Figueiredo

sábado, 14 de novembro de 2009

DEMÓSTENES E A SOMBRA DO BURRO


Defendia Demóstenes no Areópago de Atenas a causa de um pobre homem condenado á morte, e, vendo que os juizes não o atendiam, interrompeu o seu discurso com estas palavras: “Senhores, agora vou-vos contar a Vós. Um feito muito interessante”.

E começou a narrar como um homem alugou um burro para ir a Atenas. Puseram-se os dois a caminho de madrugada, mas pouco depois começou o sol a aquecer, de modo a que se queimavam. O bom homem apeou-se, e quiz-se pôr ao lado do burro para aproveitar a sua sombra. Mas o amo do burro, que se tinha adiantado, se opôs dizendo: “A sombra do burro pertence-me a mim; eu só te aluguei o burro, não a sua sombra”.

Cada um defendia que lhe pertencia a sombra com tal afinco, que das palavras passaram aos actos, pegando-se e ferindo-se. O assunto foi levado aos tribunais.

Quando Demóstenes chegou a este ponto, pegou no chapéu e fez o gesto de se ir embora, mas os Juizes que o estavam a olhar atentamente, lhe pediram que termina-se e disse-se a resolução dos tribunais.

Demóstenes, com tom de indignação, exclamou: “Ah, Senhores Juizes, não vos dá vergonha? Há pouco tempo tratava sobre a vida ou a morte de um homem, e dormitáveis; agora falo-vos sobre a sombra de um burro, e me escutais com a boca aberta”.

A quantos homens falais de temas importantes para a sua vida, a sua salvação eterna, a religião, o seu temperamento, e não fazem caso algum! Mas uma noticia de futebol, uma diversao oculta... lhes cativa enormemente a sua atenção.

Retirado de: http://catolicidad-catolicidad.blogspot.com/
Tradução livre: Manuel Figueiredo